Todo dia, toda hora
você me vem com uma nova história
te amo, também te amo... meu amor
e as conversas se calam por agora
e a gente diz que ta bem, meu bem, meu bem
a gente diz que um dia ainda vai ficar bem
meu bem, eu também
Se alguém me pára na rua
e pergunta se eu to legal,
eu viro e digo meu amor,
to melhor do que no inferno astral
E a gente finge tão bem, tão bem, tão bem,
e a gente diz que ta bem, meu bem, mas meu bem
Os casais passados das novelas
nunca vão ser como nós, como nós
nós somos um outro tipo de praga, tão rara
trocando carícias nos lençóis,
que voz, que voz...
na cama, sala, mesa,
em tudo meu bem, também, tudo bem
E noutro dia qualquer, meu bem
qual é o teu plano?
te vejo mais tarde, uma dose, de novo.
E eu aqui sozinha, acabada
e você nem ai, nem ai..
ta com pressa pras outras mil pretendentes, que te acendem, te fingem orgasmos;
enquanto eu só sirvo pra acender o cigarro, tragar um bucado e dizer mil palavras sem rancor, meu amor, meu amor.
E a gente finge tão bem, meu bem, também
e a gente finge tão bem que tudo é normal, que tudo.. tudo agora é igual.
E eu não sei onde estive, eu não sei no que estou me metendo, eu não sei o que eu fiz comigo. E enquanto eu assisto você desaparecer no chão, meu único erro foi eu nunca ter te deixado pra baixo. Então vou perder meu tempo, e vou queimar minha mente.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
A varanda da minha casa
Da
minha varanda eu vejo tudo aquilo que passa, que se desfaz e se remonta
a cada passo que um desconhecido do outro lado da rua dá. Eu consigo
sentir a vibração de seus pés e as marteladas da obra do vizinho. Já
passou das 4 e eu ainda estou viva, eu não sirvo nem pra isso. Eu
queria, eu queria muito acabar com tudo isso, todo esse rancor, amargura
de meus familiares dizendo que eu nunca crescerei na vida, que nunca
poderei evoluir, que sempre serei isso, esse bichinho de pé que não pode
seguir em frente sem precisar do empurrão deles. Eu tenho 2 queimaduras
de cigarro no punho, uns rabiscos no outro, eu tenho as unhas pintadas e
frescas de uma garota de 19 anos, eu tenho mais peso do que eu deveria
ter, muito mais, eu tenho uma xícara de café frio do meu lado esquerdo
esperando para ser terminada, tenho uma marca roxa no olho e 3 nos
braços, lanhadas nas pernas de cintadas dadas num sexo legal. Eu to aqui
nessa varanda, quase me debruçando e tentando fazer mais uma merda mal
sucedida, eu to tentando deixar apenas o vento bater nos meus pés
suados, eu to tentando terminar o cigarro e logo em seguida eu acabo com
tudo isso, dou uma de egoísta e deixo todos pra trás. E enquanto eu to
aqui sentada nesse mármore frio que refresca a minha bunda, eu to
esperando um último empurrão.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Eu assinei meu nome embaixo de cada texto pra você e, eu sei bem, que as palavras são errôneas e excessivamente cruéis. Estou partindo para um reino distante, com o choro entalado na goela e uma vontade de voltar e abraçar-lhe até o sufoco vir à tona e a gente se compreender novamente. Eu rezo baixinho pra que você entenda as minhas metáforas e o meu mal uso do discurso, porque eu sei que no fim ninguém abre os olhos e procura a lasca, a dor, a culpa e todo desejo de gritar que ainda dói. Eu guardo teu nome no meu peito onde pessoa alguma pode tocar, e sonho - com a esperança mutilada - que um dia nós ainda seremos um só. Lá no meu profundo, no âmago aonde não chegaram, na poesia que criei e que não notaram. Os meus abraços são poesia constantes e o meu adeus embargado na fala é o sinal de quem precisa ser descoberto, como se faltasse as camadas de proteção. Você me gritou um dia que seríamos grandes amigos pra agora dizer que eu devo mesmo ir. E eu estou indo. Para o longe, para o intragável, para o incompreensível. O céu é o limite de outro céu e a minha morte já aconteceu faz tempo. “Mas eu te amo, eu digo pra mim, "eu te amo como se ama um passarinho morto".
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
A fossa da rima
As nuvens no céu tão azuis
seus olhos nos meus, minha cruz
estou pregada a ser somente sua
E um beijo marcado em meu véu
é mais um beijo marcado ao léu
eu não pude dizer adeus, amor
E agora o que faço de mim?
sem você eu só vivo assim
chorando pelos cantos a toa
Mas se você retornar num instante
estarei novamente ofegante
pra te dizer que aceito, sim.. meu amor
E agora o que faço disso
não sei se é riso ou compromisso
me dá as mãos e depois, indeciso
vira as costas do meu paraíso
E eu não sei o que faço disso
é que eu não sei ser tão submisso
como um tormento, uma fala, um aviso
retorne logo ao meu paraíso
seus olhos nos meus, minha cruz
estou pregada a ser somente sua
E um beijo marcado em meu véu
é mais um beijo marcado ao léu
eu não pude dizer adeus, amor
E agora o que faço de mim?
sem você eu só vivo assim
chorando pelos cantos a toa
Mas se você retornar num instante
estarei novamente ofegante
pra te dizer que aceito, sim.. meu amor
E agora o que faço disso
não sei se é riso ou compromisso
me dá as mãos e depois, indeciso
vira as costas do meu paraíso
E eu não sei o que faço disso
é que eu não sei ser tão submisso
como um tormento, uma fala, um aviso
retorne logo ao meu paraíso
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