terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A varanda da minha casa

Da minha varanda eu vejo tudo aquilo que passa, que se desfaz e se remonta a cada passo que um desconhecido do outro lado da rua dá. Eu consigo sentir a vibração de seus pés e as marteladas da obra do vizinho. Já passou das 4 e eu ainda estou viva, eu não sirvo nem pra isso. Eu queria, eu queria muito acabar com tudo isso, todo esse rancor, amargura de meus familiares dizendo que eu nunca crescerei na vida, que nunca poderei evoluir, que sempre serei isso, esse bichinho de pé que não pode seguir em frente sem precisar do empurrão deles. Eu tenho 2 queimaduras de cigarro no punho, uns rabiscos no outro, eu tenho as unhas pintadas e frescas de uma garota de 19 anos, eu tenho mais peso do que eu deveria ter, muito mais, eu tenho uma xícara de café frio do meu lado esquerdo esperando para ser terminada, tenho uma marca roxa no olho e 3 nos braços, lanhadas nas pernas de cintadas dadas num sexo legal. Eu to aqui nessa varanda, quase me debruçando e tentando fazer mais uma merda mal sucedida, eu to tentando deixar apenas o vento bater nos meus pés suados, eu to tentando terminar o cigarro e logo em seguida eu acabo com tudo isso, dou uma de egoísta e deixo todos pra trás. E enquanto eu to aqui sentada nesse mármore frio que refresca a minha bunda, eu to esperando um último empurrão.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Eu assinei meu nome embaixo de cada texto pra você e, eu sei bem, que as palavras são errôneas e excessivamente cruéis. Estou partindo para um reino distante, com o choro entalado na goela e uma vontade de voltar e abraçar-lhe até o sufoco vir à tona e a gente se compreender novamente. Eu rezo baixinho pra que você entenda as minhas metáforas e o meu mal uso do discurso, porque eu sei que no fim ninguém abre os olhos e procura a lasca, a dor, a culpa e todo desejo de gritar que ainda dói. Eu guardo teu nome no meu peito onde pessoa alguma pode tocar, e sonho - com a esperança mutilada - que um dia nós ainda seremos um só. Lá no meu profundo, no âmago aonde não chegaram, na poesia que criei e que não notaram. Os meus abraços são poesia constantes e o meu adeus embargado na fala é o sinal de quem precisa ser descoberto, como se faltasse as camadas de proteção. Você me gritou um dia que seríamos grandes amigos pra agora dizer que eu devo mesmo ir. E eu estou indo. Para o longe, para o intragável, para o incompreensível. O céu é o limite de outro céu e a minha morte já aconteceu faz tempo. “Mas eu te amo, eu digo pra mim, "eu te amo como se ama um passarinho morto".

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A fossa da rima

As nuvens no céu tão azuis
seus olhos nos meus, minha cruz
estou pregada a ser somente sua


E um beijo marcado em meu véu
é mais um beijo marcado ao léu
eu não pude dizer adeus, amor


E agora o que faço de mim?
sem você eu só vivo assim
chorando pelos cantos a toa


Mas se você retornar num instante
estarei novamente ofegante
pra te dizer que aceito, sim.. meu amor


E agora o que faço disso
não sei se é riso ou compromisso
me dá as mãos e depois, indeciso
vira as costas do meu paraíso


E eu não sei o que faço disso
é que eu não sei ser tão submisso
como um tormento, uma fala, um aviso
retorne logo ao meu paraíso

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Bote pra fora todas as palavras que foram ditas, jogue tudo na privada
E fique limpa para sempre.. até que a próxima chegue.
Ele gravou seu nome com tinta e sangue para eternidade.
Em seu quarto sua moldura nunca irá desabar.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Meu doce querer

Quero sentir o sabor de mil cigarros, mil goles secos da bebida mais barata, mil palavras ditas em vão, mil afagos nunca mais dados, quero sentir o prazer de ser inútil e vazia. 
Quero ser um nada por toda eternidade.